UM BRINDE A MINISSAIA!
(Aderindo a reforma ortográfica e visual)
Estefani Medeiros
Levando em consideração que a combinação jeans+ baby look+ All star diz muito mais sobre nós mesmas do que imaginamos, fiquei pensando no que ela reflete nosso lifestyle atual. Por isso, preciso de ajuda com a seguinte questão: o que fazemos com todas as conquistas que ganhamos como presente (suado) de nossas antepassadas? Qual nosso "revolution girl style now?".
Para protestar contra a moda estilizada e elitizada, a vulgarização do sexo feminino e padrões estéticos criados pela indústria, nossas vovós revolucionaram seu modo de vestir usando jeans, despenteando o cabelo, "queimando" sutiãs no famoso bra-burning e mostrando para o mundo que alguma coisa grande estava mudando. Na época, isso foi mais que necessário. Mas, com o tempo essas práticas acabaram virando um padrão sexista e você acabava sendo rotulada por usar um bracelete aqui, um rosa acolá ou era tachada de ousar no fashionismo por ser um pouco mais "arrumadinha" (o que não é meu caso, hehe). Em outras palavras, ao invés de reciclarmos a ideia central de transformar algo, viramos escravas de um novo padrão, criado por nós mesmas.
Li uma crítica sobre a banda francesa Plasticines, em que o argumento do cara para dizer que elas não durariam muito era que "banda de modelete acaba logo". Se elas vão durar ou não já não sei, mas acho que passamos da idade de julgar um álbum só pela capa e pô eu até acho o som delas legal. Tem ainda a Paula Toller que disse em uma entrevista à revista TPM que demorou muito para começar a se expor de forma mais feminina porque era difícil ser respeitada como vocalistA de banda na época do Kid Abelha, os críticos caíam matando mesmo.
Então imagino que deve ter rolado a mesma coisa com muita girl band por aí para mostrar que também podia com o rock and roll. Nesse caso, o estilo ficava mais ligado a provar algo pro mundo ou para a própria cena e funcionou por muito tempo. Mas, não sei até que ponto essa descaracterização ainda é saudável hoje.
Eu quero subir num palco (mesmo que sejam poucas vezes) e tocar com a roupa que eu quiser e pensar em usar batom vermelho sem ouvir piadinha ou ser vítima de olhares machistas. Quero usar minissaia sem que pareça vulgar ou que estou querendo "facilitar" algo. Quero ser feminina sem ser forçada e usar um acessório que reflita o universo em que vivo sem precisar andar rasgada 24hs por dia. Quero pensar em estilo sem parecer fútil.
Acho que o jeans e camiseta representa hoje quase um desprendimento dos dois mundos, o não querer estar excessivamente produzida a la fashion week e também não deixar aquela charmosa rebeldia visual de lado. É o nosso lifestyle de quem estuda, trabalha, conversa no MSN enquanto fala no telefone e lambe a colher de brigadeiro.
Não acho ruim seguir mais um padrão do que outro, isso faz parte das escolhas e gostos de cada uma. Mas, não acho legal se tornar escrava de algo. Acredito que o maior presente das nossas avós foi a permissão à liberdade em todas as áreas, inclusive na moda. Usufruamos dela então!
E como já disse a mestra Simone de Beauvoir: "Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja nossa própria substância".
fotos: divulgação/internet
(09/04/2009)
Estefani Medeiros
Baixista por paixão, se vê envolvida com o universo musical desde que
se conhece por gente. Nas horas vagas escreve para sites de música e
mantém o Blog Malaguetas Extraordinárias a respeito, onde comenta
álbuns, bandas, shows, filmes e etcs... Viciada em Guitar Hero, adora
botecagens, estar com os amigos e vento no cabelo. Ainda vive no mundo
da lua e respira rock and roll em (quase) todas as suas vertentes.
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