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COLUNA: GOSTO DOS BEATLES, POIS NÃO SEI DANÇAR


P!nk é pop?

P!nk é pop! Não importa o quanto ela grite aos quatro ventos na música "So What" que "ainda é uma rockstar". P!nk é pop e ponto.

Lembro da P!nk na época de seu primeiro álbum "Can´t take me home". Teimavam em fazer com que ela parecesse mais uma cantora negra de rn´b. Aquela voz poderosa não deixava ninguém perceber que ela era branca, na verdade.

Quando ouvimos o terceiro álbum de sua carreira, "Try This", produzido por Tim Armstrong (Rancid), em comparação com o primeiro, não vemos quase nada em comum. Apenas a atitude de uma menina brava.

Essa atitude que parecia não ter muito propósito no começo da carreira, se moldou, amadureceu e virou algo bem mais canalizado e real (ou muito melhor interpretado).

Em seu segundo álbum, "Missundaztood", P!nk começou a se encontrar. Fez músicas mais voltadas para o rock (o disco teve colaborações de Richie Sambora, Linda Perry e Steven Tyler) e escreveu letras do tipo "eu-me-odeio". Prato cheio para adolescentes da geração pré-emo.

Assim que saiu seu último disco, "Funhouse", P!nk disse fazer "terapia em grupo", já que toda a dor do divórcio está ali, exposta, para quem quiser ouvir.

P!nk é meio masculina. Tem fama de briguenta, não é magrela, tem cabelos curtíssimos, humor sarcástico em entrevistas e videoclipes, voz rouca e uma beleza que, por vezes, só as lésbicas conseguem ver.

Ainda assim, enquanto princesas pop ficam carecas, passam por overdoses, comas alcoólicos e saem por aí sem calcinha, P!nk pode ser considerada praticamente a "Macunaíma" da música pop americana. Uma anti-heroína de carne e osso.

Ela bebe, mas ninguém a vê caída no chão;

Ela sofre, mas faz piada disso;

Ela chora, mas nunca em público;

Ela usa roupas transparentes, mas não fica vulgar;

Ela vai à praia de biquíni, mas ninguém encontra uma celulite!

P!nk preenche um espaço só dela na música pop. Não têm concorrentes. Enquanto vários artistas e empresários na indústria tentam mostrar perfeição, ela expõe as falhas. Expõe e ainda faz piada disso.

Toda a fraqueza dela está em cada linha das músicas que ela compõe e só ali. Mas como nunca a vemos enlouquecendo e sofrendo, a força que ela mostra dá respaldo para que a geração de adolescentes que a acompanha acredite no que é mostrado, o que é realmente muito bom!

A garota que seria o retrato de grandes problemas acabou sendo aquela que não causa problema nenhum, e critica (sem playback) e com muito fundamento, a futilidade, a proibição do casamento gay, o absurdo do mercado de peles de animais, o governo e acima de tudo, qualquer tipo de preconceito.

Que bom seria se todo pop fosse P!nk...

Que P!nk seja cada vez mais pop!

fotos: divulgação/internet

(04/07/2009)

Paula Febbe - Blog
Formada em Rádio e TV pela Anhembi Morumbi (SP), já trabalhou na rádio Brasil 2000 FM, colaborou com a revista Rolling Stone Brasil, colabora com o site da TV Rock e na emissora apresenta o programa Rock de Batom, é repórter do videocast Folha de S.Paulo.



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