Os primeiros riffs da lírica "Boy and The Ghost" anunciavam a silhueta da soprano Tarja Turunen, 31, atrás de uma cortina branca, que segundos depois foi ao chão e todos puderam ver os olhos verdes brilhantes da moçoila que vestia uma capa preta. A maioria dos fãs, que lotaram um pouco mais do que a metade do Credicard Hall (SP), no último gelado sábado, 23 de agosto, choravam e gritavam emocionados. "Bem-vindos à minha tempestade", disse Tarja em referência ao primeiro CD do seu projeto solo "My Winter Storm".
"Lost Northern Star" e "My Little Phoenix" deram sequência ao set que durou quase duas horas e contou com músicos competentes acompanhando a cantora: Kiko Loureiro na guitarra (Angra, que gravou duas músicas do CD da Tarja), Mike Terrana na bateria (ex-Rage), Doug Wimbish no baixo (Living Colour), Max Lilja (violoncelo) e Maria Ilmoniemi (teclado).
Muitos aguardavam um show parecido com Nightwish, mas o projeto solo que marca essa nova fase da carreira da Tarja é bem diferente do estilo metal de sua ex-banda, a qual ela foi demitida há dois anos atrás. Talvez para não decepcionar os fãs das antigas de plantão, ela incluiu no set alguns sons do Nigthwish como "Passion and the Opera" (do CD Oceanborn). "Nemo" foi a música que mais agitou a platéia.
Um cansativo solo de bateria do Mike Terrana anunciou após cinco minutos a chegada de Doug Wimbish e Kiko Loureiro para, digamos, um duelo de instrumentos. Esse tipo de coisas em shows me irrita. Parece workshop, do tipo, eu sou o 'fodão' toco pra caramba. O público não cansava de elogiar o Kiko.
Tarja voltou ao palco com roupa mais sexy, corselet vermelho e luvas da mesma cor, com saia preta de couro, cantando de forma emocionante "Ciarán's Well" seguida de "Our Great Divide". Edu Falaschi (vocalista do Angra) foi competente em assumir o dueto na rock/opera "Phantom of the Opera". Foi muito bacana, mas o Edu podia ter ficado mais quietinho quando terminou a música. O cara resolveu fazer um discurso pior do que político em época de campanha eleitoral, quebrando o encanto da última canção apresentada.
Depois de se livrarem do Edu, seguiram o repertório com "Enough" e depois Tarja assumiu o piano para acompanhar seus vocais em "Oasis". "Poison", de Alice Cooper e que faz parte do CD da cantora, também esteve presente no set. Essa versão ficou com uma roupagem mais rock n'roll bem estilosa e cheia de energia, inclusive o irmão caçula da Tarja (Toni Turunen) participa dos corais no CD.
Alguns minutinhos fora do palco, já era perceptível que a hora do bis se aproximava. Tarja estava de volta, vestindo uma capa prateada, cantando "Wishmaster" e "Dead Gardens" (ambas do Nightwish) e "Symphony of Destruction", do Megadeth, para encerrar a apresentação em definitivo.
Uma Tarja falante, mais solta e contente. Livre! Todo mundo presenciou isso nesta volta da artista ao país. Talvez a sua saída do Nightwish tenha feito muito bem, pois talento ela tem de sobra e já era tempo parar de ser sombra dos outros.
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Set list:
"Boy and The Ghost"
"Lost Northern Star"
"My Little Phoenix"
"Passion and the Opera"
"Sing For Me"
"Nemo"
"I Walk Alone"
"Ciarán's Well"
"Our Great Divide"
"Phantom of the Opera"
"Enough"
"Oasis"
"Poison"
"Wishmaster"
"Die Alive"
"Calling Grace"
"Dead Gardens"
"Symphony of Destruction"
Créditos: Gisele Santos (texto), Juliana Negri (fotos)
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