Atrasos, cortes em set lists, falta de organização e problemas técnicos na mesa de som não abalaram as garotas que deram show de competência e qualidade na primeira edição da Zona Punk Girls Tour
Inspirados pelo movimento feminista e pela atenção especial que a mídia tem dado às bandas de rock totalmente formadas por meninas ou com garotas no vocal, para as quais foi criado o nosso querido Mundo Rock de Calcinha, e pelo festival anual Rock Feminino (que já está em sua sexta edição) de Rio Cloro/SP, o pessoal do site "Zona Punk" iniciou no dia 20 de junho o seu "Zona Punk Girls Tour" que percorria sete cidades brasileiras (alguns shows foram cancelados em cima da hora), e teve início no Hangar 110, em São Paulo. Os quase cinqüenta minutos de atraso para a abertura da casa foram sentidos nos shows das bandas convidadas, algumas até tiveram que cortar músicas de sua set list, pois o horário da casa não permitia o fechamento atrasado.
Abertura com beijo sabor Gloss
A correria foi tanta que, mal o público começou a entrar (a fila na entrada da casa ainda estava bem grandinha), Gloss, primeira banda a se apresentar no evento paulista, já estava no palco, mostrando a força do rock feito pelas cinco meninas de Osasco/SP (que deram entrevista ao programa Mundo Rock de Calcinha e que você poderá acompanhar em breve). A banda, formada por Beta nos vocais, Cau na guitarra base, Kah na guitarra solo, Cássia no baixo e Thabata na bateria, abriu o show com "O amanhã", som super bacana que está disponível no site 'PureVolume' da banda e tem uma super levada rock n´roll. Antes de rolar o cover do Blur "Song 2" que agitou a galera, fazendo todo mundo pra pular, a guitarrista Kah teve que interromper o show pra pedir mais retorno para sua guitarra, para o povo da mesa de som. "Eu vou" e "Regras de Ouro" tocavam, enquanto a casa começava a ficar cheia (talvez porque o pessoal lá da fila estivesse finalmente conseguindo entrar) e o segundo cover do Gloss, antes de finalizar o show chegou. Foi "Contrariada" do Luxúria, música para a qual a vocalista de olhos brilhantes, Beta, pediu: "Por favor, quem souber, canta junto" e foi atendida imediatamente por todo mundo, que aplaudia a performance. Lá atrás, vista por alguns olhos atentos, uma faixa chamava a atenção: "Tabatinha, nós te amamos", era dedicada à baterista do Gloss. Apesar de todo o carinho que a banda tem de seu público, conquistado em dois anos de trabalho, elas seriam reduzidas à "banda de abertura" da Tour, participando apenas do show de São Paulo (também por conta da idade das garotas) e não tendo direito a qualquer divulgação de seus contatos no blog oficial do evento (como você pode conferir aqui: http://zpgt.wordpress.com/bandas/).
Mixtape faz o quinto show da carreira
A próxima banda a subir nos palcos foi a Mixtape, o Power trio formado por Pris Fu, Helen Negrão e Renata Monteiro mostrou competência e qualidade musical, abusando do vocal afinado de Pris, a multi-instrumentista da banda e sua guitarra, junto ao baixo afinadérrimo de Hellen, e a bateria super de Renata, que por vezes ficou de pé, sem perder o ritmo, mostrando a habilidade que tem com o instrumento, o que ainda causa espanto em alguns marmanjos que não acreditam na graça das mulheres que tocam batera. Abrindo com "Meu Mundo" e animando o público, que ainda não conhecia a banda, a Mixtape fez a escolha certa. Logo, a platéia começava a se balançar, curtindo a música, e os poucos que já conheciam a banda cantavam junto, dando força às meninas, que revelaram em entrevista ao MRC (que você ouvirá em breve) ser aquele o seu quinto show. Música inédita (e em inglês) e "Um erro por um acerto" pra a galera já ter o trabalho das meninas em mãos. O cover de "Sweet Dreams" (Eurythmics ) foi anunciado por um tímido "Essa nós temos certeza que vocês já conhecem", da simpática Pris. Seus cabelos loiros brilhantes contrastavam com as luzes do palco, e a galera toda se encantava com a sintonia das três (loira, morena e ruiva) em cada uma das canções. Finalizaram com "Não sou você", sem antes pedir a participação da Bruna, do Condessa Safira, para "Já não quero mais", onde Pris assumiu os teclados.
E era a vez da Condessa subir ao palco
Formada por Júlia Jups no vocal, Bruna Mariani na guitarra e voz, Breno Bolan no baixo e backing vocal e Zé Menezes na bateria, a Condessa Safira subiu ao palco e lançou ao público que lhes aguardava a sua "Sorriso Nublado", seguida de "Eu amor" que agitaram os presentes, cantando e disparando mil flashes em fotos com suas câmeras digitais. O próximo som foi o cover de "Teenagers" do My Chemical Romance, que foi cantado por quase toda a casa, num conjunto vibrante. Por coincidência (ou não) a música "A Última Canção" quase foi mesmo o final da apresentação da Condessa. A banda, que teve o set list cortado por falta de tempo, apresentou depois dessa música a "O Inferno de Nós dois" e deixou o público que pedia mais.
Hy-Fy reclama do set list reduzido pela produção do evento
A banda de Santos, Hy-Fy sobe ao palco, e o style da banda de Hellen Zanovello (vocalista), Maira Villamarin (baixista), Marcus Maia (guitarra/voz) e Felipe Kiosk (bateria) agrada a todos. O primeiro som da banda foi "Outro Lugar", que toda a galera cantou, em coro, junto com a banda, numa sintonia vibrante. O cover da vez foi o som "Emergency" do sucesso mundial Paramore, escolha certa do Hy-Fy que fez todo mundo cantar, pular e vibrar muito. "Ponto Inicial" abriu caminho para a surpresa da noite, que estava com a também cover de "Toxic" da Britney Spears, que ficou muito bacana na voz encantadora, meiga e bem-humorada Hellen. Agradando às meninas, o guitarrista Marcus Maia, arrancava gritos histéricos das fãs quando se aproximava do lado direito do palco pra empunhar sua guitarra agitada, fazendo poses para as máquinas fotográficas de plantão. Infelizmente, também com o set cortado, o Hy-Fy encerrou seu espetáculo com "Me encontrar". Maira explicava a uma fã, antes de tocar a última música, que o corte da set era responsabilidade da produção do evento.
Killi faz último show pra depois se dedicar apenas ao novo CD
Até então, o Killi era a primeira banda a apresentar apenas uma garota, no vocal (a próxima banda seria o Fake Number). Ju e seu jeitinho meigo dominaram o Hangar, com as já consagradas pelos fãs "Metade", "Algo Novo", "Plano B" e "Eu não gostei de ver você" que a galera cantava, agitando sempre, enquanto Ju (vocal), Paulo (guitarra), Tavinho (baixo) e Cajú (bateria) mandavam ver no som arrojado e pós-punk que a banda faz. Depois da Zona Punk Girls Tour, o Killi vai fazer uma pausa para compor e gravar um novo álbum, que será lançado em setembro, como declarou à nossa equipe, a vocalista. Depois de chamar a Jups, da Condessa Safira, pra cantar junto com a banda o som "A carta", rolou o cover de "Feeling This" do Blink 182, que o Killi tocou ao vivo pela primeira vez! Lançando de vez em quando o microfone para que o público cantasse, Ju parecia extremante à vontade. Continuando a todo o vapor com "Valsa", a música nova, que de acordo com declaração do baixista Tavinho, "ainda não tem nome oficial", a banda não perdia o compasso. Seguiram com "Desplugado", "Tudo a perder" e "Nanana" pra depois finalizar com toda a pompa, com a belíssima "Contando os dias", com o Hangar inteiro cantando para Ju e banda, que sorriam ao sair do palco, como quatro adolescentes, felizes com sua banda, seu show e seus fãs.
Sintonia vibrante da Fake Number agita os fãs
Vez do Fake Number subir ao palco. A formação atual da banda, que conta com Elektra nos vocais, Gah e Pinguim nas guitarras e backing vocals, Diablo no baixo e Tony na bateria, já chegou mostrando o poder do som lá de Lorena que dominou São Paulo e com certeza logo invadirá todo o Brasil. Antes da abertura das cortinas, uma intro caprichada convidada os fãs a balançarem, como que anunciando que aquele seria "o show". Trabalhando intensamente o álbum "Cinco Faces de Um Segredo" a banda abriu o show com "Apenas Mais Um", seguida da balada romântica e completa "Como se você estivesse aqui" também na boca do povo. "Aquela Música" que recentemente ganhou clipe, abria caminho para a nova música da Fake, "Você vai Lembrar". De autoria da vocalista, a letra da música está disponível no fanzine oficial da banda (www.fakenumber.net). Para seguir o espetáculo, "Segredos que guardei" que era cantada em coro pelo público que junto à Elektra, em meio a gritos, entoava o refrão mais que conhecido "Eu me desculpei, segredos que guardei, mentiras que escondi, por querer o seu bem não te conteeii...". A performance fantástica dos três garotos de frente da banda, Gabriel, Pinguim e Diablo, junto à força da bateria de Tony, junto à atenção de Elektra ao público, ficando sempre pertinho da beira do palco, acenando para os fãs, parecendo declamar cada música pra cada um deles, fazia a banda inteira mostrar uma sintonia vibrante. Infelizmente, um problema com a mesa de som do Hangar deixava as guitarras mais altas que a voz de Elektra, mas com determinação, a banda inteira unida, superou este problema finalizando o espetáculo com "Platônico" e "Conto de Farsas" para que a última banda da noite entrasse em palco: o Lipstick.
Lipstick encerra a noite
Formada somente por meninas, tal como Gloss e Mixtape, a banda subiu ao palco com total segurança, seja pelas camisetas espalhadas nos corpos das meninas na frente do palco, e que estampavam o nome "Lipstick" num cor-de-rosa choque, seja pelo pedacinho do refrão de "Descontrolada" que rolou no inócio do show... fato é que o Lipstick finalizou direitinho o início dessa turnê, agradando com "Cada segundo que eu tinha" e "Eu sei", entre muitas outras que caíram no gosto da galera. O cover de "Nanana", da banda brasileira Wonkavision, também fez presença no set das garotas.
Nada melhor que finalizar o primeiro show de uma tour feminina, com a banda que leva o nome de um de seus principais acessórios, o "batom", no nome.
***Veja algumas fotos AQUI***
Nota: Devido aos cortes para correr o show no tempo estipulado pelo local, completamente fora do cronograma divulgado pela produção, não foi possível fazer fotos de todos os shows, já que simultaneamente estavamos entrevistando algumas bandas para o nosso programa de rádio. Em breve teremos vídeos na TV MRC e entrevistas na Rádio MRC.
Créditos:
Texto e Fotos: Raquelline Marlusy
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